Férias, mas nem tanto,

pois, apesar dos treinos de voleibol (um beijinho às minhas atletas!) e das aulas já terem terminado e de o trabalho na escola ter praticamente chegado ao fim, os bolos continuam a dar-me que fazer, o que, para mim, é uma delícia, visto que posso dedicar-lhes mais tempo e imaginação. Agora, estou entusiasmadíssima a testar técnicas novas e designs novos (amei fazer aquela mala Channel - prometo fazer uma diferente e linda para a minha irmã, uma Louis Vitton, talvez). Mais uns tantos aí vêm, entretanto, preparo-me para fazer uma máscara do Spiderman para o meu sobrinho Henrique, um ringue de Wrestling e uns anjinhos atarefados, ou seja, vou meter "as mãos na massa" DOCE.

Há já muito tempo...

... que queria fazer um bolo cheio de ratinhos(as) a costurar um vestido da Cinderela. Assim, quando a Mariana manifestou o seu desejo de ter uma Cinderela, e a mãe, Andreia, aceitou a sugestão, fiquei "em pulgas" para começar. Foi divertidíssimo!! Quanto à Princesa da Ilha (para quem não conhece, é um filme da Barbie), esta também era uma Cinderela, porém, a Benedita chorou sobre a primeira escolha, preferindo a princesa naufraga. A mudança de ideias foi mesmo a tempo e permitiu uma vez mais... experimentar!

Apesar de uma semana...

... extremamennte cansativa e atarefada, entro na sexta-feira com sensação de dever cumprido. Um dia destes, a minha filha chegou a casa toda entusiasmada com a perspectiva da festa de final de ano na escola. Felicitei-a pelo acontecimento, perguntei-lhe acerca do programa e disse que iria tratar do que levar para contribuir para o lanche, como é já habitual. Perante isto, ela põs-se de mãos postas e com o ar mais doce e ludibriador e perguntou toda melada: "Mamã, podes fazer um bolinho para a minha escola?" Empalideci. Acção de formação+ver a minha irmã ao hospital+bolo para a Patrícia para a 6ª feira+"bolinho" decorado para a escola? IMPOSSÍVEL! Calmamente, respondi-lhe que, desta vez, não seria possível, pois a mamã não tinha tempo. Porém, aquela carinha não me saía da mente... então decidi: vou fazê-lo! E fiz. Foi muito cansativo gerir tudo à volta, mas o amor de mãe faz milagres e o meu foi o "bolinho" "Pintaínhos em Festa". Agora, só espero que os miúdos gostem e que educadoras e auxiliares não se ofendam com as galinhas, foi na melhor das intenções, visto que lá nos substituem a nós, às "mães galinhas" como eu!

Voltei a trabalhar...

... um pouco no blogue. Após algum tempo sem tempo -passe o pleonasmo- devido às responsabilidades inerentes ao trabalho da leccionação, arranjei uns minutos não só para fazer alguns bolos, mas também para os incluir no álbum do Pingodarte. Neste período decorrido entre a última publicação e o dia de hoje, obtive mais algumas oportunidades de realizar experiências, nomeadamente florais. Desde flores de jarro a orquídeas, passando por carros de kart, isto é, estruturas de carros, houve um leque variado de matéria prima para dar asas à imaginação e ao risco da tentativa de fazer algo novo. Ainda bem que vão surgindo hipóteses de elaborar bolos diferentes, pois só assim vou inovando e personalizando cada um sempre que possível.

Reacções...

... (tenho de aproveitar a escrever a palavra reacções com dois "C", pois quando chegar o acordo ortográfico...). Penso que, em tudo, ou quase tudo na vida, as reacções, as primeiras reacções das pessoas são fundamentais: à convocatória para a selecção; ao pedido de casamento; à notícia da gravidez; à primeira palavra do bebé, sei lá...
O mesmo se passa em relação aos bolos, uma vez que a primeira reacção, normalmente, demonstra o impacto positivo (ou negativo) que a obra final teve. Para variar, as crianças são as mais genuínas: se gostam, gritam, dizem UAU, dizem que querem um igual. Os adultos são mais contidos, havendo diferenças efectivas entre homens e mulheres. Enquanto os primeiros pouco se manifestam ou fazem ligeiros comentários, as segundas mostram ser, sem sombra de dúvida, mais efusivas e opinativas.
Desta forma, o primeiro indicador do valor do nosso trabalho é o sentimento que este provoca e que se reflecte numa expressão, a qual nos vai, ao longo do tempo, dar ânimo para continuar e melhorar cada vez mais.

Cobaias...

... para qualquer experiência são, efectivamente, necessárias. Assim, e como boa cientista que tento ser, arranjei um leque relativamente alargado de cobaias para as minhas experiências com novas ideias e técnicas para os bolos. Pinguins, galinhas, sereias, skates, Cinderelas, Belas Adormecidas foram todos "crash test dummies" do motor da minha imaginação e das minhas mãos.
A última ideia, que me "perseguia" há uns tempos, era fazer amores-perfeitos (flores favoritas do pai da Patrícia e da Ana), cheios de cor, cheios de romantismo. O dia 30 de Maio assinala o aniversário de mais uma cobaia: a minha irmã do meio. Aproveitei a oportunidade única para moldar umas pétalas e pintar uns sombreados de forma a criar uma ramalhete vistoso, todavia suave, para um bolo que ainda não acabou de cozer. Espero que a imagem mental que guardo venha a concretizar-se na tela de massa de açúcar, porém, acima de tudo, espero que ela goste da surpresa (se ela não ler isto antes de lhe levar o bolo pronto!!!).

Um bolo atribulado...

Todos os dias aprendemos e fazêmo-lo, principalmente, com as experiências menos boas, todavia, a vida é assim mesmo: nem sempre um mar de rosas. Passo a explicar. O bolo hoje colocado no blogue "Recordar a Comunhão" está envolto numa história incrível: depois de verem o blogue, uns primos da Terceira expressaram a vontade de ser eu a fazer o bolo da 1ª Comunhão do filho, o Afonso. Perante esta sugestão, limitei-me a rir, pensando tratar-se de brincadeira, visto que... vivo em São Miguel! Mas não, era mesmo verdade. Com tudo tratado, o pai tinha de vir a São Miguel e aproveitou para levar o dito bolo. Ideia engendrada a meu critério, fiz questão da minha oferta ao miúdo ficar a rigor.
Combinámos tudo: embalagem própria para levar o bolo, base para o bolo do tamanho certo trazidas pelo pai e o bolo por minha conta.
1º Problema: o pai esqueceu-se da base/prato para o bolo.
2º Problema: arranjar em minha casa uma base adequada e com o tamanho certo para a embalagem. Solução: encontrei um tabuleiro de madeira com um vidro de protecção que era exactamente do tamanho exacto (desculpem a redundância!) da embalagem. Alertado para o risco do vidro ser demasiado fino para aquele propósito, o pai assentiu.
3º Problema: a meio da decoração do bolo... faltou o corante dourado (que deveria ser mais do que suficiente)! Solução: comprar corante em Ponta Delgada logo de manhã para acabar o bolo até às 13h30, porque o Paulo teria de estar no aeroporto às 14h00 para apanhar o avião de regresso à Terceira. Bolo acabado a tempo (com muito stress à mistura)= alívio!
Claro que esperei umas horas para saber a reacção da mãe e do miúdo ao bolo. Quando, finalmente, telefonaram, 4º Problema: o bolo caiu a sair do aeroporto das Lajes! O meu coração parou por breves instantes. Senti aquele calor que nos percorre desde os pés acima e nos queima a face... Com aquela calma, o pai só poderia estar a brincar, porém, não estava, o bolo tinha caído MESMO. Salvação: uma tábua de madeira que o meu marido tanto insistiu que servisse de base à embalagem, sendo anexada a esta com fita cola. Assim, a dita tábua funcionou de prancha de surf quando o bolo, com o embater do carrinho num degrau, deslizou pelas malas abaixo até cair no fundo do carrinho de bagagem. "Meu Deus, e o bolo?" perguntei eu. "Está intacto!" Nem quis acreditar.
Definitivamente, quando o que fazemos é de boa vontade e coração, não há contratempo que derrube a nossa obra. A comunhão correu bem, o Afonso foi abençoado e gostou muito do bolo da prima Raquel, ainda bem.